domingo, 25 de maio de 2014

Cuidado com os excessos



Higiene íntima é fundamental, faz bem à saúde, é agradável, nos transmite segurança e frescor. Mas, como tudo na vida, quando em excesso pode fazer mal. O ginecologista e diretor científico da Sogesp Dr. Paulo César Giraldo explica que a higiene íntima deve ser adequada, sem pecar pelo excesso nem pela falta. “Se a mulher não fizer uma higiene adequada haverá acúmulo de células mortas, bactérias, resíduos de urina, e tudo isso irrita a região genital. Por outro lado, a higiene excessiva promove o ressecamento e a formação de fissuras”, diz Giraldo.


Hora do banho

O banho é um momento de carinho consigo mesma, de cuidado. Esse cuidado se estende à nossa região íntima e começa já na escolha do sabonete. “A vulva tem um pH ácido e é colonizada por lactobacilos, bactérias que formam uma barreira contra micro-organismos prejudiciais”, descreve o ginecologista. Pra preservar essa proteção natural, o ideal é utilizar um sabonete íntimo com pH adequado. “Se a mulher usar um sabonete bactericida, com pH alcalino ou um sabonete com muita ação detergente, vai perder a proteção natural da pele”, explica Paulo.
Nada de duchas vaginais, elas só podem ser feitas em alguns casos, quando seu médico prescrever. Agora, na região externa, pode caprichar. Lave cuidadosamente cada dobrinha. "O foco da limpeza deve se resumir ao monte púbico, à pele da vulva, à raiz das coxas, à região perianal — entre a vulva e o ânus — e ao interior dos grandes e dos pequenos lábios", ensina Paulo Giraldo. 

Não precisa ser uma lavagem a jato. “O tempo ideal fica entre 2 a 3minutos”, explica o ginecologista. Menos de 2 minutos é pouco para acessar todas as dobras, mas não ultrapasse os 3 minutos. Cuidado também com a temperatura da água. Água muito quente resseca e traumatiza a pele delicada da região. “O excesso prejudicial na higiene pode estar relacionado com muito tempo, muito trauma, produtos com muita ação detergente ou com pH alcalino”, diz o especialista.

Seque bem a região com uma toalha macia. O excesso de umidade por tempo prolongado também não faz bem.

Após transpiração intensa e exercícios físicos, também é recomendada a higienização. Se não for possível o banho no decorrer do dia, você pode lançar mão dos lenços umedecidos.

Cuide-se bem

O Dr. Paulo Giraldo nos dá mais algumas dicas para manter a região íntima saudável:

• Cuidado com o papel higiênico. Escolha os mais macios, aqueles muito secos podem traumatizar a região.

• Atenção à depilação. O ideal é aparar os pelos para não haver acúmulo de resíduos. 

• Evite usar calcinha ou calça muito apertadas, pois dificultam a oxigenação no local.

• O uso de protetores diários de calcinha pode ser interessante, mas escolha a versão respirável, sem plástico embaixo.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mers: entenda por que essa doença preocupa o mundo


Após os Estados Unidos confirmarem os primeiros casos da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, surge a dúvida: ela vai chegar ao Brasil? Fique por dentro do caso.



Um novo vírus está despertando a atenção de pessoas do mundo inteiro: o Mers-CoV. Ele é o causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, doença que mata de 30 a 40% dos pacientes hospitalizados. No início de maio, esse agente infeccioso - que surgiu em 2012 na Arábia Saudita - chegou aos Estados Unidos por meio de indivíduos que haviam viajado ao epicentro do problema. Daí o motivo pelo qual muitos estão se perguntando se ele também pode se espalhar para outras regiões. O vírus já deu as caras em outros países do Oriente Médio, como Catar, Líbano e Emirados Árabes Unidos, além de ter chegado à Europa (França, Itália e Reino Unido).

O tamanho do problema
O governo da Arábia Saudita relatou um aumento no registro de casos da doença nos últimos meses. Desde 2012, foram 139 mortes e 480 indivíduos infectados ali. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de janeiro a março de 2014 foram confirmados 28 episódios de pacientes contaminados pelo Mers-CoV em todo o mundo - desses, dez resultaram em mortes.
O vírus foi encontrado em camelos, mas a forma de contágio entre seres humanos ainda não foi totalmente estabelecida. "Mas sabe-se que ela pode ocorrer em um contato próximo", diz a médica Nancy Bellei, da Sociedade Paulista de Infectologia.
Para complicar, nem todos os infectados apresentam sintomas - e não dá para saber se, nesses casos, o vírus continua sendo propagado. Quando a doença se manifesta, porém, o sinais costumam ser falta de ar, febre e um mal-estar geral. Em alguns casos, a dificuldade de respirar se intensifica e o indivíduo tem de ser internado. É que o vírus causa uma senhora agressão às vias aéreas e aos pulmões.
Há risco de uma epidemia mundial?
Essa questão tem preocupado autoridades em saúde pública de todo o globo, inclusive no Brasil. Para Nancy, que também é professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo, o risco de a doença se espalhar pelo planeta é baixo. "Nos países da Europa e mesmo nos Estados Unidos, o número de casos foi pequeno e o problema, controlado", avalia.
Ela ressalta que, para prevenir uma epidemia, é fundamental que os indivíduos infectados sejam isolados e não tenham contato com outros pacientes em hospitais. "No Oriente Médio os casos têm aumentado provavelmente devido a uma dificuldade nesse controle", opina a especialista.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2013, três casos suspeitos de infecção associada ao Mers-CoV foram investigados em São Paulo. Felizmente, os testes deram negativos para o coronavírus. Mesmo assim, caso você viaje para o Oriente Médio, a recomendação dos especialistas é ficar atenta e se cuidar.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Corrimento: saiba identificar quando ele indica alguma doença

Aquela secreção que aparece na calcinha pode sinalizar encrencas sérias. Conheça os problemas por trás disso e aprenda a diagnosticá-los.



É normal?
Notar na calcinha, durante alguns dias, um líquido de coloração esbranquiçada ou transparente tudo bem. Trata-se de uma umidade natural, que pode estar relacionada a diversos mecanismos do aparelho genital feminino. "Durante a ovulação e no período pós-ovulatório, há uma produção aumentada dessa secreção", explica o ginecologista Claudio Bonduki, professor da Universidade Federal de São Paulo. Outros fatores são a descamação da parede vaginal e também a transudação - uma espécie de suor da mucosa da vagina.
No entanto, embora tudo isso esteja de acordo com as leis da natureza, é necessário prestar atenção quando há mudanças no aspecto. "Se sentir mau cheiro, coceira ou ardor ao urinar, e notar que a secreção está contínua, procure um médico", orienta o ginecologista Paulo César Giraldo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. Esses podem ser sinais de problemas graves. Conheça alguns deles a seguir:

Vaginose bacteriana
Como é o corrimento: líquido, de coloração branca ou cinza e com odor forte, semelhante ao de peixe estragado.
O que é: uma proliferação de bactérias anaeróbicas, isto é, que se desenvolvem na ausência de oxigênio. Está ligada a fatores que interferem na flora vaginal, como o uso de antibióticos e o estresse.

Candidíase
Como é o corrimento: não apresenta odor. É espesso (com aparência leitosa), de cor branca e costuma vir acompanhado de coceira e ardor.
O que é: infecção causada pelo fungo Candida albicans. É provocada por um desequilíbrio da flora vaginal, que pode ter entre as suas causas o uso prolongado de medicamentos como pílula anticoncepcional, antibiótico e corticoide. Roupas apertadas e quentes, que dificultam a transpiração da região íntima, também abrem portas para que a candidíase se instale.

Tricomoníase
Como é o corrimento: de aspecto espumado, sua cor é amarelo-esverdeada, tem mau cheiro e tende a provocar ardor ao urinar
O que é: uma infestação pelo protozoário Trichomonas vaginalis – é uma doença sexualmente transmissível.

Gonorreia
Como é o corrimento: é comum que não haja sintomas, mas um líquido amarelado e com pus pode aparecer em alguns casos.
O que é: doença infectocontagiosa, causada pela bactéria Neisseria gonorrheae. Também é transmitida pela relação sexual.

 

Tratamentos

No caso da vaginose bacteriana, da tricomoníase e da gonorreia, é comum que o médico prescreva antibióticos. Já em relação à candidíase, a terapia é feita à base de antifúngicos em forma de creme ou comprimido.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Malhação na menopausa: conheça os melhores exercícios para essa fase.


Especialistas apontam as atividades ideais para fortalecer o esqueleto e blindar o coração durante o climatério - até os fogachos podem sair de cena.



Para os experts, não há dúvidas: a prática regular de atividade física no climatério (período caracterizado por alterações hormonais que culminam na última menstruação) pode evitar, ou ao menos atenuar, a evolução de problemas capazes de colocar a saúde da mulher em risco. Por causa do déficit de estrogênio, o hormônio que os ovários param de produzir nessa fase, o calorão dos fogachos e as variações de humor e disposição dão as caras.
Além disso, há uma propensão muito maior a males como diabete, osteoporose e doenças do coração. E não faltam estudos que comprovem os benefícios de uma vida ativa para afastar essas encrencas. "A prática regular e orientada de exercícios é indicada em qualquer fase da vida. No entanto, quanto antes ela for adotada, melhor para a saúde da mulher", reconhece o preparador físico e doutor em ciências da motricidade Ricardo José Gomes, da Universidade Federal de São Paulo.

Alívio nas ondas de calor
Um trabalho da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, sugere que 30 minutos diários de atividade física amenizam os calores da menopausa. Ainda não se sabe quais são os mecanismos por trás dos fogachos, mas o fato é que as mulheres que participaram da pesquisa reportaram uma melhora considerável depois de malhar. “O exercício também modula o humor e reduz o estresse, outros fatores ligados ao aparecimento das ondas de calor", diz Steriani Elavsky, especialista em ciência dos movimentos e uma das autoras da pesquisa.


Saiba quais são as melhores modalidades para quem está no climatério



 

1. Hidroginástica
Amiga do coração, só peca por um fator: falta de impacto, essencial para a prevenção da osteoporose. Por isso, tem de ser combinada a outros esportes.
2. Caminhada
É a queridinha dos especialistas, sobretudo por não exigir demais do organismo. Pratique de três a seis vezes por semana, durante, no mínimo, 30 minutos.

3. Dança
Jazz, dança contemporânea, de salão... Não importa o tipo. Rodopie na pista de duas a cinco vezes por semana, durante, pelo menos, 30 minutos.
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4. Musculação
Deve ser feita de duas a três vezes por semana e, de preferência, associada a um exercício aeróbico, como corrida. Carga e intensidade variam caso a caso.

Os efeitos dos exercícios em cada parte do corpo durante a menopausa



1. Músculos
Com o passar dos anos, a mulher perde muita massa magra. Fortalecer a musculatura ao redor do joelho, por exemplo, é essencial para manter o equilíbrio e evitar quedas.

2. Cérebro
Exercitar-se regularmente auxilia na regulação dos sistemas cerebrais que a depressão desbalança. Melhora, entre outras coisas, a comunicação entre as células nervosas.

3. Coração
A deficiência de hormônios femininos é responsável por aumentar o risco de infartos. Invista em exercícios aeróbicos para prevenir o surgimento de placas nas artérias que irrigam o músculo cardíaco.

4. Abdômen
A falta do hormônio estrogênio tem sua parcela de culpa, mas o sedentarismo é um dos maiores vilões no quesito barriga. Mexer o corpo é o melhor remédio.

5. Pâncreas
Combinar musculação e modalidades aeróbicas dá uma santa ajuda no controle da glicose no sangue porque bota a insulina para trabalhar - daí seu efeito antidiabete.

6. Ossos
As atividades físicas de impacto estimulam a formação de células ósseas. Assim, o esqueleto se mantém menos poroso e mais resistente, ou seja, livre da osteoporose.

7. Vasos
Sem o estrogênio - de novo! - , a pressão arterial tende a subir. Caminhada, natação e ciclismo aumentam a flexibilidade dos vasos e evitam complicações nas pernas, no coração, no cérebro...
 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Conheça as doenças que ameaçam o cérebro antes da velhice


Elas costumam aparecer em idosos, mas às vezes podem surpreender também pessoas mais jovens. Saiba mais sobre as demências pré-senis.



Alzheimer

O que é
Essa é a demência (nome dado a alterações cognitivas, comportamentais e de personalidade) que mais atinge indivíduos com menos de 60 anos de idade. Trata-se de uma doença neurodegenerativa caracterizada por afetar, inicialmente, a memória e as funções executivas. "É comum o paciente esquecer, por exemplo, nomes de pessoas e onde colocou objetos", explica o geriatra Salo Buksman, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. "Além disso, a pessoa pode apresentar dificuldade para realizar atividades cotidianas, como gerenciar sua conta bancária", complementa.
As causas
A origem exata da doença de Alzheimer ainda está sendo estudada, mas sabe-se que fatores como doenças cardiovasculares, depressão e baixa escolaridade contribuem para que o problema dê as caras.
Como identificar
Repare se a pessoa sofrer frequentemente falhas de memória (principalmente em relação a fatos) ou se não conseguir gravar informações trocadas em uma conversa, por exemplo.
O tratamento
Não há cura para o Alzheimer. O que existe são medicamentos cuja função é apenas adiar a piora dos sintomas.

Demência vascular cerebral

O que é
Esse é o segundo tipo mais comum de declínio cognitivo e costuma afetar adultos com idades entre 50 e 65 anos. Na maioria dos casos, ele é fruto de lesões vasculares (pequenos derrames) que ocorrem no cérebro e que, somadas, levam a um quadro de demência.
As causas
O acidente vascular cerebral (AVC) é decorrente, principalmente, de uma pressão arterial descontrolada e que vive nas alturas. O histórico familiar também aumenta o risco de ocorrer um AVC.
Como identificar
Uma pessoa com essa demência apresenta alterações importantes de humor, dificuldade para se locomover e também pode ter membros como braços e pernas paralisados.
O tratamento
Não há como reverter a situação, mas o paciente pode tentar uma reabilitação por meio de fisioterapia, por exemplo. É fundamental se proteger de novos episódios - daí a importância de controlar a pressão e o colesterol, parar de fumar, fazer atividade física e adotar uma alimentação balanceada.

Demência fronto temporal

O que é
Eis outra doença degenerativa que não acomete só idosos, mas também indivíduos na fase pré-senil . Ela altera a personalidade e o comportamento.
As causas
"Ocorre a morte de neurônios da região frontal do cérebro, responsável pelo comportamento, atenção, cálculo...", esclarece o geriatra Alexandre Busse, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A origem disso pode ser falta de suprimento sanguíneo ou até acúmulo de substâncias nocivas às células nervosas.
Como identificar
Uma mudança de personalidade é o que mais chama a atenção na demência fronto temporal. A pessoa pode tanto se tornar apática quanto ficar mais desinibida do que o normal. "Ela pode começar a se engajar em causas que antes não tinha interesse, se vestir de forma diferente ou até se comportar de maneira bizarra", exemplifica Busse.
O tratamento
É importante que o paciente se mantenha ativo, fazendo atividade física. O médico também pode prescrever remédios antidepressivos ou que previnam convulsões.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Aprenda a identificar os diversos tipos de dor de cabeça


Engana-se quem pensa que dor de cabeça é tudo igual. Estima-se que existam mais de 50 tipos. Descubra qual é o seu tormento.



Enxaqueca

O que é? 
Doença crônica que afeta 20% das mulheres e se caracteriza por crises repetidas de dor de cabeça.
Como é a dor? 
Envolve só metade da cabeça, piora com qualquer atividade física e está frequentemente associada a náusea, vômitos e sensibilidade a luz e sons. "Minutos antes, um conjunto de sintomas neurológicos, conhecido por aura, costuma surgir", diz o neurologista Custódio Michailowsky. A aura visual é a mais comum e provoca flashes de luz e falhas no campo visual.
O que a provoca?
Estresse, sono prolongado, jejum, traumas cranianos, ingestão de certos alimentos, como chocolate, leite, laranja ou comidas gordurosas, uso de medicamentos vasodilatadores, exposição a ruídos altos, odores fortes e a queda dos níveis hormonais que ocorre antes da menstruação são alguns fatores.
Tratamento
As crises leves se resolvem com sono e repouso. Já as moderadas e graves são tratadas com medicamento, às vezes até preventivos.


Cefaleia tensional

O que é? 
É provocada pela tensão muscular ou problemas de fluxo sanguíneo. É bastante comum, mas a dor não costuma ser muito intensa. Estima-se que 86% das mulheres tenham esse tipo de dor.
Como é a dor?
Uma sensação de aperto, pressão ou peso. A parte de trás da cabeça costuma concentrar a dor.
O que a provoca?
Está associada a ansiedade, depressão, alterações emocionais, estresse e tensão. "A correria do dia a dia e até uma noite maldormida podem desencadear uma crise", diz Michailowsky.
Tratamento
Normalmente são indicados analgésicos comuns ou anti-inflamatórios, conforme o caso. Para a forma crônica são utilizados medicamentos preventivos.


Cefaleia em salvas

O que é?
Acredita-se que tenha origem no hipotálamo, região do cérebro responsável por mecanismos vitais, como o controle do sono. Não é tão comum. Os homens são os mais afetados.
Como é a dor?
É intensa em um dos lados da cabeça, geralmente no fundo dos olhos. A crise, que normalmente ocorre à noite, dura até três horas. Pode ser acompanhada de lacrimejamento, congestão nasal e queda da pálpebra. "É uma dor bastante forte, que surge de maneira repentina, sem apresentar sinais, e que incapacita a pessoa", afirma Michailowsky.
O que a provoca?
Ainda não se sabe exatamente a causa.
Tratamento
Remédios preventivos. Na crise, os médicos indicam sublinguais, injetáveis e até o uso de oxigênio.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Entenda como a atividade física pode beneficiar os rins


Uma nova onda de pesquisas garante: suar a camisa regularmente ajuda a evitar da doença renal crônica aos dolorosos cálculos.



Ao buscar pelos termos "rim" e "atividade física" no Pubmed, site do governo americano que reúne estudos realizados no mundo todo, você encontrará 168 artigos publicados em 2013. Se substituir a primeira expressão por "pulmão", esse número sobe para 321. E, se escrever "coração", ele dispara para 1 637. Ou seja, em comparação com outros órgãos, os rins vêm sendo menos avaliados pelos experts que buscam entender os efeitos dos exercícios no organismo.
Entre aqueles 168 trabalhos, destaca-se um do Hospital Estadual Konya Numune, na Turquia. Após examinar 139 pessoas, os especialistas descobriram que as ativas contavam com uma função renal mais preservada do que as sedentárias. Por se tratar de uma área ainda nebulosa, faltam evidências dos motivos por trás do resultado. "Porém, em animais, já notamos que exercícios melhoram o processo de filtragem dos rins", relata Nestor Schor, nefrologista da Universidade Federal de São Paulo. Aí, sobrariam menos substâncias tóxicas para gerar estragos.
Outra explicação recai na hipertensão e no diabete, doenças conhecidas por lesar o par de órgãos. Primeiro porque a prática esportiva diminui o risco de ambas surgirem. Segundo porque ajuda a domar essas encrencas quando já foram diagnosticadas. Na Universidade Médica da China, o nefrologista I-Kuan Wang examinou dados de 7 863 diabéticos com doença renal crônica entre 1996 e 2008. Ao separar os que malhavam dos inativos, ele viu que o primeiro grupo possuía uma menor taxa de mortalidade. "É uma pena que nem todos os médicos conheçam esse benefício", lamenta Wang.
Em seu mestrado, o educador físico Henrique Novais Mansur verificou um elo entre atividade física e uma menor probabilidade de pessoas com doença renal crônica desenvolverem complicações cardiovasculares. "Os rins influenciam na saúde do coração. Eles, por exemplo, têm um papel no controle da pressão", explica o brasileiro, da Universidade Federal de Pernambuco. Aliás, os exercícios também devem fazer parte do cotidiano de pacientes que precisam purificar o sangue artificialmente por meio da hemodiálise. "Essa tática, entre outras coisas, recupera a musculatura e a qualidade de vida, ambas prejudicadas pelo mau funcionamento dos nossos filtros", arremata Taís Tinucci, nefrologista da Universidade de São Paulo.
Mas será que correr, pedalar ou nadar previnem até pedras nos rins? Segundo um experimento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, sim. Entre 84 225 mulheres investigadas, as que mexiam o corpo com frequência apresentavam um risco 31% menor de padecer com os cálculos. "Isso ocorreria porque o esporte ajusta a maneira como o organismo lida com moléculas cruciais à formação das pedras", especula o urologista Mathew Sorensen, autor do projeto. A ciência já está tirando o atraso. Em nome dos rins - e do coração, dos pulmões... -, você deveria correr para fazer o mesmo.

Para fugir do câncer renal
Exercitar-se protege inclusive contra esse tipo de tumor. Pelo menos é o que concluiu um estudo do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, que avaliou 91 820 corredores e caminhantes. Só que há um detalhe: fica mais longe dessa doença quem, no mínimo, cumpre as recomendações gerais de prática de atividade física. Em outras palavras, cerca de 150 minutos de ralação toda semana, com muita disciplina.