sexta-feira, 13 de junho de 2014

Hipertireoidismo: tratamento depende da gravidade da doença.

foto especialistaDanilo Höfling

Endocrinologia

O hipertireoidismo é causado pela produção excessiva de hormônios tireóideos (T3 e T4) resultante do aumento da função da própria glândula, ao passo que a tireotoxicose é um termo mais amplo, que se refere a qualquer condição na qual há de excesso desses hormônios.
 Várias doenças da glândula tireoide podem levar ao aumento da produção dos hormônios tireóideos, mas é importante mencionar que nem sempre o problema está na tireoide (Quadro 1).
 A causa mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves, que ocorre quando o organismo produz anticorpos que estimulam o funcionamento da glândula. Pode ser decorrente, também, de um ou mais nódulos tireóideos que fabricam hormônios tireóideos em excesso (bócio uni ou multinodular tóxico, respectivamente) ou de processos inflamatórios da tireoide, tais como, a tireoidite de Hashimoto ou a tireoidite pós-parto. Há varias outras causas, incluindo as mais raras, entre elas, um tumor na hipófise capaz de produzir grandes quantidades do hormônio estimulador da tireoide (TSH) ou um tipo específico de tumor de ovário, denominado struma ovarii.
 O hipertireoidismo pode resultar ainda de ingestão excessiva de iodo ou de substâncias com alta concentração de iodo, como alguns comprimidos de alga, expectorantes e do medicamento amiodarona (frequentemente usado para no tratamento de arritmia cardíaca).
 Uma causa importante de tireotoxicose é a ingestão de hormônios tireóideos na tentativa de diminuição de peso corporal. Neste último caso, a situação pode ser particularmente prejudicial, já que além de haver grande perda de tecido muscular, a ingestão de dose elevadas de hormônios tireóideos pode ser potencialmente fatal.
Quando o hipertireoidismo é leve, denominado subclínico, o indivíduo geralmente não tem sintomas e, quando tem, eles são de pequena intensidade. Por outro lado, quando o hipertireoidismo é mais intenso (hipertireoidismo franco), vários sinais e sintomas estão presentes. Neste caso, sem dúvida, a pessoa necessita de tratamento, mesmo porque o hipertireoidismo pode ser grave o bastante para colocar em risco a vida do indivíduo. Contudo, no caso do hipertireoidismo subclínico a necessidade de tratamento é discutível. A decisão de tratar o hipertireoidismo subclínico deve ser tomada pelo endocrinologista levando em consideração todos os riscos e benefícios envolvidos para cada um dos pacientes.
Visto que a tireotoxicose pode ocorrer por motivos diversos (Quadro 1), as estratégias terapêuticas serão escolhidas de acordo com a causa do problema de cada indivíduo.

Além da causa do hipertireoidismo, vários outros fatores devem ser avaliados para a escolha do tratamento mais adequado, tais como a gravidade da doença, a presença de outras doenças que possam interferir no tratamento, a presença de gestação, a idade, etc.No caso da ingestão intencional de hormônios tireóideos para redução de peso, por exemplo, a simples suspensão corrige a tireotoxicose. No caso da doença de Graves, três tipos de tratamento estão disponíveis: os medicamentos antitireóideos, a cirurgia e a ingestão de iodo radioativo. Para os nódulos produtores de hormônios tireóideos, além dessas três modalidades terapêuticas, pode-se realizar a sua destruição com LASER, radiofrequência e etanol. As pessoas que tem Tireoidite de Hashimoto e tireoidite pós-parto são tratadas com os medicamentos antitireóideos, porquanto o hipertireoidismo é transitório.

 Assim, é evidente que o diagnóstico e o tratamento da doença são complexos. Neste caso, a experiência do endocrinologista será imprescindível para a escolha da estratégia terapêutica mais adequada.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Antioxidantes reduzem o risco de câncer

Eles também diminuem as chances de doenças cerebrais degenerativas e do envelhecimento celular.

foto especialista
Roberto Navarro
Nutrologia

Toda vez que nós inalamos o oxigênio presente no ar que respiramos, ele faz o seguinte trajeto: penetra pelos nossos pulmões e, através do sangue, chega até o interior de nossas células. O que acontece com esse oxigênio a partir daí? Bem, este oxigênio é utilizado para a respiração celular, isto mesmo, nossas células também "respiram", seus "pulmões" são chamados de mitocôndrias, e graças à isto nós conseguimos produzir energia e sobreviver na natureza. Por isso, somos chamados de seres aeróbicos e só continuamos vivos pela presença do oxigênio em nossas células. 
Porém, após este processo de respiração celular ocorrer, aproximadamente 2% deste oxigênio é transformado em um grupo de substâncias chamado de espécies reativas tóxicas do oxigênio, também conhecidas como radicais livres. Como o próprio nome sugere, elas podem "intoxicar" nossas células? Infelizmente sim, pois estes radicais livres podem atacar as membranas das células e causar um estrago chamado de peroxidação lipídica que eu compararia a "enferrujar" (oxidar) as células, prejudicando o funcionamento delas. Mas, fique calmo, pois como diz o ditado, Deus dá o frio conforme o cobertor. 
Dentro das nossas células também temos a capacidade de produzir um antídoto para anular os efeitos danosos destes famigerados radicais livres. Estes heróis que nos protegem são chamados de enzimas antioxidantes que anulam os efeitos destes vilões. Mas, a matéria prima que nossas células necessitam para a produção destas enzimas protetoras são alguns nutrientes específicos, sendo eles: vitamina C, vitamina E, selênio, manganês, cobre, zinco, riboflavina, betacaroteno, compostos bioativos (polifenóis, flavonóides, carotenóides, glicosinolatos) e outros menos importantes. O que pode ocorrer se houver um desequilíbrio entre a produção exagerada de radicais livres e uma produção menor de enzimas antioxidantes?  
A preocupação da ciência com esta possibilidade é tão grande que surgiu uma área de estudo específica para compreender melhor este tema, chamada de Oxidologia, que estuda as causas e os efeitos da "oxidação" excessiva das nossas células (tecnicamente conhecido como stress oxidativo) e suas repercussões na saúde humana. E sabe quais as conclusões ? Vamos enumerá-las abaixo: 
  • Aceleração da velocidade de envelhecimento celular.
  • Ataque ao DNA das células levando ao risco aumentado de câncer.
  • Oxidação excessiva do colesterol, que, quando oxidado, aumenta a chance de entupir nossos vasos sanguíneos e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e derrames cerebrais.
  • Degeneração de uma região do globo ocular chamada de mácula, aumentando o risco de perda da visão progressiva, mais comum em idosos (Degeneração Macular).
  • Oxidação excessiva dos neurônios podendo aumentar o risco de doenças degenerativas cerebrais como Alzheimer e Parkinson.
Sem querer ser alarmista vou jogar mais uma lenha nesta fogueira: não só o oxigênio que entra nas nossas células leva a produção dos radicais livres. Outros fatores também podem elevar a produção dos mesmos, de maneira secundária: irradiações ionizantes, infecções, diabetes descompensado, Síndrome Metabólica, intoxicações por metais tóxicos (chumbo, alumínio, mercúrio, arsênico, cádmio, etc), agrotóxicos, tabagismo, excesso de atividade física, alimentação excessiva em gorduras (inclusive a trans) e açucares simples. 
Fica a questão: se eu me exponho à um somatório de vários fatores desencadeadores da elevação dos radicais livres dentro do meu organismo como me defender dos estragos do seus excessos? Obviamente aumentando a oferta de matéria prima para que nossas células aumentem a produção das enzimas antioxidantes (os heróis citados acima no texto) e temos então uma chance de diminuir o stress oxidativo que tanto nos deixa vulneráveis. Aonde encontrá-las? Veja como é fácil: 
  • Vitamina C: laranja, limão, tangerina, acerola, goiaba, kiwi, camu-camu.
  • Vitamina E: óleos vegetais (azeite extra virgem, canola, linhaça, entre outros), gérmen de trigo, abacate, óleos de peixe, gema de ovo.
  • Selênio: oleaginosas (castanhas, amêndoas, avelãs, amendoins), peixes como salmão.
  • Manganês: cereais integrais, legumes, castanhas.
  • Zinco: carnes magras, aves e peixes, ostras, iogurtes desnatados, cereais integrais, germe de trigo.
  • Cobre: nozes, frutas secas, cereais, leguminosas (ervilha, soja, grão-de-bico, feijões, lentilhas)
  • Betacarotenos: cenoura, tomate, manga, abóbora, gema de ovo.
  • Compostos bioativos: alface, agrião, rúcula, couve, espinafre, berinjela, mirtilo, uva rôxa, cenoura, tomate, cúrcuma, chá verde, brócolis, alho, alho-poró, cebola, cogumelos comestíveis, maçã (com casca), pó de cacau, acelga, beterraba, salsinha, pimentão vermelho, couve-flor, entre outros.

Fica também um alerta: doses altas de antioxidantes podem fazer efeito contrário, ou seja, se tornam pró-oxidantes, e o tiro sai pela culatra. Se entupir de cápsulas de vitaminas e minerais em doses altas acreditando ficar protegido pode ser uma grande ilusão e piorar sua saúde. Temos os alimentos corretos. Basta saber utilizá-los a nosso favor. Qual o ponto de equilíbrio? Evite os fatores (modificáveis) que desencadeiam o aumento do stress oxidativo (vide acima) e tenha uma alimentação adequada em antioxidantes. Faça atividade física leve a moderada regularmente, sob supervisão profissional e visite seu médico periodicamente para avaliar sua saúde e fazer exames de rotina. Essas medidas costumam ser infalíveis, sendo a prevenção ainda o melhor remédio. Siga a dieta do bom senso. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Trombose e cicatrização

Claro que ninguém quer se machucar, porém, quem toma medicamento para prevenir trombose venosa profunda (TVP) costuma ter arrepios só de pensar em sofrer um corte, arranhão ou qualquer outro acidente. Se esse é o seu caso, saiba que não há motivo para ficar assim. “É fato que a medicação usada diminui a possibilidade de os coágulos se formarem dentro da veia, os chamados trombos. Mas, diante de um ferimento, o máximo que pode acontecer é a pessoa sangrar um pouco mais do que o normal, situação que é contida rapidamente se ela fizer uma boa compressão no local. E quanto à cicatrização, ela vai acontecer sem qualquer dificuldade se depois que o sangramento parar a região for limpa e receber um curativo”, afirma o cirurgião vascular Dr. Bruno de Lima Naves, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).


Ajuda especializada

Segundo o especialista, a dificuldade de uma ferida fechar acontece quando o sangue não consegue chegar bem até o local da lesão, o que geralmente ocorre em quem tem diabetes, uma circulação sanguínea complicada ou quando a trombose venosa é extensa e produz um inchaço muito grande. “Diante disso, é essencial procurar ajuda especializada o quanto antes”, completa o médico.

sábado, 31 de maio de 2014

Diabetes em crianças x novos hábitos

O diagnóstico de diabetes em uma criança pode se tornar um fator de agregação da família dependendo da forma como ela lida com a nova condição, acredita a psicóloga Kátia Tarnapolsky Markenson, especializada em terapia familiar.

O processo de aceitação pode ser difícil para a criança com diabetes e, algumas vezes, ainda mais complicado para a família, que também é impactada pelas mudanças decorrentes da situação. “A criança está crescendo e, conforme a faixa etária, está adquirindo autonomia e o diabetes chega como um veículo que vem na contramão, exigindo muita atenção”,diz a psicóloga.


No caso do diabetes, Kátia considera que o fato de muitas vezes o diagnóstico chegar inesperadamente e a necessidade de mudar os hábitos da criança e da família da noite para o dia tornam o processo de aceitação ainda mais gradual. “Algumas mudanças podem ser necessárias de imediato, como o controle glicêmico ou o uso de medicamentos, deixando pouco espaço e tempo para muitas negociações. Outras podem ser feitas com a participação da criança e da família, como a elaboração de um novo cardápio e a construção de novos hábitos alimentares” explica a terapeuta.

Tornar mais tranquila essa fase inicial de adaptação depende também de como a família consegue reajustar ou construir novos padrões de interação entre seus membros. Ela defende a ideia de que, passados os primeiros momentos, o caminho  mais confortável é que todos os membros da família consigam  reconhecer  estar vivenciando uma grande modificação em sua rotina, ajudando um  ao outro na adaptação  a uma realidade nova. A criança passa a precisar de alguns cuidados e ter necessidades diferentes, e a colaboração e a participação da família são fundamentais. 

Segundo Kátia, não é necessário que os novos hábitos sejam estendidos aos demais membros da família. “Participar e apoiar não significa eliminar as diferenças entre irmãos,  pois as necessidades  são distintas.”

“No início a preocupação da família com o controle e a proteção à criança podem ficar exagerados. No entanto, o natural é que com maior conhecimento e domínio da nova situação, bem como o suporte médico adequado, as famílias se reorganizem, absorvendo a novidade sem maiores conflitos”, conclui a terapeuta.

domingo, 25 de maio de 2014

Cuidado com os excessos



Higiene íntima é fundamental, faz bem à saúde, é agradável, nos transmite segurança e frescor. Mas, como tudo na vida, quando em excesso pode fazer mal. O ginecologista e diretor científico da Sogesp Dr. Paulo César Giraldo explica que a higiene íntima deve ser adequada, sem pecar pelo excesso nem pela falta. “Se a mulher não fizer uma higiene adequada haverá acúmulo de células mortas, bactérias, resíduos de urina, e tudo isso irrita a região genital. Por outro lado, a higiene excessiva promove o ressecamento e a formação de fissuras”, diz Giraldo.


Hora do banho

O banho é um momento de carinho consigo mesma, de cuidado. Esse cuidado se estende à nossa região íntima e começa já na escolha do sabonete. “A vulva tem um pH ácido e é colonizada por lactobacilos, bactérias que formam uma barreira contra micro-organismos prejudiciais”, descreve o ginecologista. Pra preservar essa proteção natural, o ideal é utilizar um sabonete íntimo com pH adequado. “Se a mulher usar um sabonete bactericida, com pH alcalino ou um sabonete com muita ação detergente, vai perder a proteção natural da pele”, explica Paulo.
Nada de duchas vaginais, elas só podem ser feitas em alguns casos, quando seu médico prescrever. Agora, na região externa, pode caprichar. Lave cuidadosamente cada dobrinha. "O foco da limpeza deve se resumir ao monte púbico, à pele da vulva, à raiz das coxas, à região perianal — entre a vulva e o ânus — e ao interior dos grandes e dos pequenos lábios", ensina Paulo Giraldo. 

Não precisa ser uma lavagem a jato. “O tempo ideal fica entre 2 a 3minutos”, explica o ginecologista. Menos de 2 minutos é pouco para acessar todas as dobras, mas não ultrapasse os 3 minutos. Cuidado também com a temperatura da água. Água muito quente resseca e traumatiza a pele delicada da região. “O excesso prejudicial na higiene pode estar relacionado com muito tempo, muito trauma, produtos com muita ação detergente ou com pH alcalino”, diz o especialista.

Seque bem a região com uma toalha macia. O excesso de umidade por tempo prolongado também não faz bem.

Após transpiração intensa e exercícios físicos, também é recomendada a higienização. Se não for possível o banho no decorrer do dia, você pode lançar mão dos lenços umedecidos.

Cuide-se bem

O Dr. Paulo Giraldo nos dá mais algumas dicas para manter a região íntima saudável:

• Cuidado com o papel higiênico. Escolha os mais macios, aqueles muito secos podem traumatizar a região.

• Atenção à depilação. O ideal é aparar os pelos para não haver acúmulo de resíduos. 

• Evite usar calcinha ou calça muito apertadas, pois dificultam a oxigenação no local.

• O uso de protetores diários de calcinha pode ser interessante, mas escolha a versão respirável, sem plástico embaixo.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mers: entenda por que essa doença preocupa o mundo


Após os Estados Unidos confirmarem os primeiros casos da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, surge a dúvida: ela vai chegar ao Brasil? Fique por dentro do caso.



Um novo vírus está despertando a atenção de pessoas do mundo inteiro: o Mers-CoV. Ele é o causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, doença que mata de 30 a 40% dos pacientes hospitalizados. No início de maio, esse agente infeccioso - que surgiu em 2012 na Arábia Saudita - chegou aos Estados Unidos por meio de indivíduos que haviam viajado ao epicentro do problema. Daí o motivo pelo qual muitos estão se perguntando se ele também pode se espalhar para outras regiões. O vírus já deu as caras em outros países do Oriente Médio, como Catar, Líbano e Emirados Árabes Unidos, além de ter chegado à Europa (França, Itália e Reino Unido).

O tamanho do problema
O governo da Arábia Saudita relatou um aumento no registro de casos da doença nos últimos meses. Desde 2012, foram 139 mortes e 480 indivíduos infectados ali. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de janeiro a março de 2014 foram confirmados 28 episódios de pacientes contaminados pelo Mers-CoV em todo o mundo - desses, dez resultaram em mortes.
O vírus foi encontrado em camelos, mas a forma de contágio entre seres humanos ainda não foi totalmente estabelecida. "Mas sabe-se que ela pode ocorrer em um contato próximo", diz a médica Nancy Bellei, da Sociedade Paulista de Infectologia.
Para complicar, nem todos os infectados apresentam sintomas - e não dá para saber se, nesses casos, o vírus continua sendo propagado. Quando a doença se manifesta, porém, o sinais costumam ser falta de ar, febre e um mal-estar geral. Em alguns casos, a dificuldade de respirar se intensifica e o indivíduo tem de ser internado. É que o vírus causa uma senhora agressão às vias aéreas e aos pulmões.
Há risco de uma epidemia mundial?
Essa questão tem preocupado autoridades em saúde pública de todo o globo, inclusive no Brasil. Para Nancy, que também é professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo, o risco de a doença se espalhar pelo planeta é baixo. "Nos países da Europa e mesmo nos Estados Unidos, o número de casos foi pequeno e o problema, controlado", avalia.
Ela ressalta que, para prevenir uma epidemia, é fundamental que os indivíduos infectados sejam isolados e não tenham contato com outros pacientes em hospitais. "No Oriente Médio os casos têm aumentado provavelmente devido a uma dificuldade nesse controle", opina a especialista.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2013, três casos suspeitos de infecção associada ao Mers-CoV foram investigados em São Paulo. Felizmente, os testes deram negativos para o coronavírus. Mesmo assim, caso você viaje para o Oriente Médio, a recomendação dos especialistas é ficar atenta e se cuidar.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Corrimento: saiba identificar quando ele indica alguma doença

Aquela secreção que aparece na calcinha pode sinalizar encrencas sérias. Conheça os problemas por trás disso e aprenda a diagnosticá-los.



É normal?
Notar na calcinha, durante alguns dias, um líquido de coloração esbranquiçada ou transparente tudo bem. Trata-se de uma umidade natural, que pode estar relacionada a diversos mecanismos do aparelho genital feminino. "Durante a ovulação e no período pós-ovulatório, há uma produção aumentada dessa secreção", explica o ginecologista Claudio Bonduki, professor da Universidade Federal de São Paulo. Outros fatores são a descamação da parede vaginal e também a transudação - uma espécie de suor da mucosa da vagina.
No entanto, embora tudo isso esteja de acordo com as leis da natureza, é necessário prestar atenção quando há mudanças no aspecto. "Se sentir mau cheiro, coceira ou ardor ao urinar, e notar que a secreção está contínua, procure um médico", orienta o ginecologista Paulo César Giraldo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. Esses podem ser sinais de problemas graves. Conheça alguns deles a seguir:

Vaginose bacteriana
Como é o corrimento: líquido, de coloração branca ou cinza e com odor forte, semelhante ao de peixe estragado.
O que é: uma proliferação de bactérias anaeróbicas, isto é, que se desenvolvem na ausência de oxigênio. Está ligada a fatores que interferem na flora vaginal, como o uso de antibióticos e o estresse.

Candidíase
Como é o corrimento: não apresenta odor. É espesso (com aparência leitosa), de cor branca e costuma vir acompanhado de coceira e ardor.
O que é: infecção causada pelo fungo Candida albicans. É provocada por um desequilíbrio da flora vaginal, que pode ter entre as suas causas o uso prolongado de medicamentos como pílula anticoncepcional, antibiótico e corticoide. Roupas apertadas e quentes, que dificultam a transpiração da região íntima, também abrem portas para que a candidíase se instale.

Tricomoníase
Como é o corrimento: de aspecto espumado, sua cor é amarelo-esverdeada, tem mau cheiro e tende a provocar ardor ao urinar
O que é: uma infestação pelo protozoário Trichomonas vaginalis – é uma doença sexualmente transmissível.

Gonorreia
Como é o corrimento: é comum que não haja sintomas, mas um líquido amarelado e com pus pode aparecer em alguns casos.
O que é: doença infectocontagiosa, causada pela bactéria Neisseria gonorrheae. Também é transmitida pela relação sexual.

 

Tratamentos

No caso da vaginose bacteriana, da tricomoníase e da gonorreia, é comum que o médico prescreva antibióticos. Já em relação à candidíase, a terapia é feita à base de antifúngicos em forma de creme ou comprimido.